Dentro do contexto historiográfico da Revolução Federalista que assolou o Rio Grande do Sul, é imperioso destacar fatores primários na questão da ocupação regular dos proprietários de terras que atualmente abarcam o Município de Paulo Bento/RS, conforme arrazoa Juarez Illa Font : “Raul Kurtz Barbosa, filho de João Barbosa de Albuquerque e Silva, lindeiro de Paulo Bento de Souza (Posse dos Bentos, uma das mais antigas do Município) [...]”. Corroborando para a afirmação de que do atual Município de Paulo Bento, foi um dos primeiros locais a serem “povoados”, na “Grande Erechim”. Evidentemente à área atual que compreende Paulo Bento, através dos tempos foi palco de acontecimentos históricos relevantes para a região e o Estado. Eventos que impactaram a política Estadual e porque não dizer a nível Nacional, tendo inclusive os seus moradores locais como atores. Endossando estas colocações, citamos fatos pertinentes à Revolução Federalista do longínquo ano de 1893, envolvendo habitantes e donatários de terras pertencentes à localidade do que hoje é o espaço geográfico de Paulo Bento. Edificando assim mais um capítulo relevante para a história regional.
A Revolução Federalista é a denominação mais popularmente conhecida que se dá a série de conflitos armados, tendo como palco o Sul do Brasil entre os anos de 1893 e 1895, caracteristicamente foi uma “guerra civil” que assolou o Estado do Rio Grande do Sul. O conflito foi conflagrado devido a uma crise política gerada pelos então federalistas, que eram um grupo de oposição ao governo de Júlio de Castilhos, o presidente do Estado do Rio Grande do Sul. Os federalistas buscavam uma maior autonomia e descentralizar o poder da jovem república do Brasil.
É relevante destacar que Raul Kutz Barbosa, contava os seguintes fatos, em 16 de junho de 1893, os republicanos, investiram contra as tropas federalistas acampadas em Taboão, sendo que um dos chefes legalistas era o tenente-coronel Manoel Bento de Souza (irmão de Paulo Bento de Souza) negociante no Distrito de Pontão, localizado na divisa de Passo Fundo com Sarandi. Manoel Bento de Souza possuía terras no Rio Cravo, na estrada do Campo Erechim a Capo-Erê, onde desenvolvia atividades de comércio (compra) de erva-mate dos moradores.
O solo paulobentense foi palco de fatos ocorridos na Revolução Federalista. Provêm relatos concretos dos acontecimentos transcorridos, principalmente colhidos de forma oral e documental do Cel. Raul Barbosa destinados principalmente ao Padre Benjamin Busato. Conforme afirma Antônio Ducatti Neto nas linhas que seguem fidedignamente transcritas: “O denominado Campo Erechim, está situado no município do mesmo nome, entre os Rios Cravo e Erechim, nas imediações do Chapadão. Segundo documento fornecido pelo Cel. Raul Barbosa, sub-prefeito de Paulo Bento ao Pe. Benjamin Busato, seu ancestral João Barbosa de Albuquerque e Silva, morava nos campos de Erechim, desde o ano de 1872. Em maio de 1893, possuía em seus campos 800 cabeças de gado vacum e mais 250 cavalos.”
Em concordância com os documentos provenientes do Cel. Raul Barbosa, dá-nos um panorama das atividades revolucionárias de 1893, em Passo Fundo e inclusive em Erechim, conforme o citado em uma carta familiar, que a certa altura diz: “No dia 4, deu-se combate e no dia 5 eu andava em viagem do Erexim (Campo Erexim) ao rio Passo Fundo a fim de receber uma eguada que comprei [...] nesse dia chegou lá João do Engenho, reunindo gente, cavalos e armamentos, etc. [...] Depois da derrota dos federais aqui o João do Engenho se conservou dias no Campo Erexim, e parecia que ia sustentar fogo, e não sustentou nada porque correu sem vergonha para o mato... Os homens que eles tinham presos foram degolados na hora da fuga”.
É bem possível ter uma imagem fatídica do teatro dos acontecimentos que se sucederam na revolução de 1893, tendo como palco, o “Campo Erexim”, localidade pertencente ao atual Município de Paulo Bento.
Portanto é clarificador o aspecto de que o Município de Paulo Bento abarcou na sua área territorial acontecimentos relevantes na historiografia regional pertinentes à Revolução Federalista de 1893. Aspectos esses que marcaram a gênese da Comunidade, deixando inclusive resquícios na cultura e história.